poesia suja
as membranas do pensamento infectado com o pior câncer do submundo
perseguem as massas amontoadas que se aquecem no embalo
do ônibus suburbano a rugir pelas ruas com a ira de mil demônios
os olhos piscam na tentativa de sanear a paisagem
as mãos procuram as últimas doses de morfina no fundo falso dos bolsos alheios
o sol inflama o coração dos transeúntes
minha consciencia deseja o jazz e flerta com o rock
meus ouvidos derretem na frequência da poeira radial
o filho chora e a mãe o açoita
tranquilamente, as pombas fazem sua última refeição
nada lhes é negado, à excessão do prazer
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